Pode tocar na obra

A ideia de digital pode ser atrelada aos grandes eventos de inovação, tanto tecnológicos quanto sociais, comportamentais e por aí vai. Tudo que conhecemos pela natureza de suas formas, peso e lugar vem se configurando para uma existência menos palpável, em um processo de reorganização de suas “funções” e presença em nosso cotidiano. Já falamos sobre isso no post Entre triângulos e planos há algum tempo, porém retomar o assunto hoje é, de alguma forma, relembrar onde estávamos naquele momento e onde estamos agora: com novas questões sobre lugar e tempo. Esse tempo que construímos ao mesmo tempo em que vivemos.

Começo esse texto considerando alguns pontos, e acredito que você já tenha se deparado com essas questões ou escutado por aí algumas indagações neste sentido, mas de toda forma, tento, mesmo que sutilmente, encostar no último fio da meada e retomar a discussão sobre o que está acontecendo com os meios de produção de conteúdo. Digo conteúdo como algo não restritamente escrito, mas todas as cifras que o tempo exapta para contar sua história.

É evidente que os filmes, fotos, teatros, músicas e livros não são mais os mesmos. Talvez, nós também não sejamos mais como antes, talvez a forma que processamos o conteúdo tenha alterado em sua formação genética para algo híbrido, trans, que solicita novas fronteiras do existir. Dessa maneira, a reflexão que pede uma observação honesta dos nossos atos pode dar dicas do que está acontecendo com a natureza dos objetos que nos cercam. Como, por exemplo, o ingresso do cinema ou a música nos celulares.

Um outro exemplo dessa reconfiguração é a produção de filmes que vão além das críticas construídas. Para os novos filmes que se propõem a investigar a maneira de narrar não-histórias que não sejam mais interpretadas por atores, mas sim a construção de obras, vetores particulares únicos que utilizam dos suportes convencionais para deslocar seus atos em busca de outras consequências. Outro ponto de vista pode ser o uso dos livros digitais, que estão inaugurando outros lugares do imaginativo. Onde os recursos, que a cada dia abrem espaço para novas APIs, alteram como mutações a sua construção literária. Não mais desejamos estar nos mesmos lugares cognitivos do passado, é possível explorar novos campos da imaginação, é possível pensar algo que jamais pensaríamos antes na relação com o conteúdo. O poder dessa forma de pensar é de tal proporção que nos permite repensar em como construir outras formas de existência ao defender ideias e apresentar pontos, transitando por configurações e funções objetivas e subjetivas do conhecimento. Nada mais do que a convergência de texto, som, imagem, vídeo e toque em sua forma ampliada de existir.

O desbravar de outros espaços também implica em novas responsabilidades e novos saberes, mas mais do que isso, representa o reconhecer nossa trajetória não linear na construção de nós mesmos. Assim, abre um discurso sobre tecnologias digitais e seus recursos, e também a capacidade “horizontalizante” que temos em mãos. Talvez o exercício de construírmos esse lugar seja o mesmo de olharmos nosso entorno em busca de respostas que nos potencializem em mais propostas e consciências do devir.

 


 

Foto: Diego Mere; Obra da série Transparentes Brancos de Christiano Mere

 

Subjetivação da rampa

Impondo-se sobe as águas, o MAC flutua como quem procura novos ares. Se enche do novo a cada movimento. Movimento esse que traça a partir dos nossos olhos em um caminhar sinuoso e quase circular as suas formas e espaços, encontrando assim outro ponto de vista mais carregado de surpresa, que faz presente seu domínio (território) e, no mesmo instante, a abrangência de quem não possui fronteiras. Assim, expande a ideia de presença e sua ubiqüidade no recorte, uma estrutura que se faz física e metafísica em nossa subjetividade.

Discutir sobre suas formas e sua construção é perceber suas relações e provocações mais básicas com o espaço. Porém, é na rampa que Niemeyer concentra grande parte da força de subjetivação que a estrutura impregna no entorno. Não é correto de nossa parte precisar que esse seja um discurso de concepção, mas que de fato as estruturas nos levam a perceber questões, isso não podemos negar. A rampa, que a grosso modo nos leva para entrar no “raio” do museu, guarda em suas curvas questões muito interessantes.

Ao figurar a rampa como sujeito que nos conduz ao movimento de zig-zag, percorremos a distância não objetiva entre o pátio e a entrada, em círculos ascendentes que nos levam ao ponto de acesso. Os movimentos revelam novos olhares sobre as estruturas do prédio, quando do seu entorno sugere que a relação com a cidade não está somente no branco de suas paredes, nem com o negro espelhado dos vidros, mas sim com o momento presente do MAC e a sua capacidade subliminar de se situar no contemporâneo. Ao perceber que não percorremos a menor distância entre a entrada e o pátio, a seguinte pergunta se constrói: quando e onde começa a experiência de chegada?

Com os olhos atentos as formas, é possível perceber que da grade até a rampa colocamos de volta o questionamento se aquele é de fato o início. Logo, a questão sobre a ladeira da rua até a grade já faz parte de uma construção estrutural que flutua acima do horizonte, e que essa ladeira se apresenta como uma rocha abrupta em meio a beira da baía e, então podemos nos afastar até tudo se tornar memória, fazendo o MAC não mais ser figurado e sim lembrado enquanto essência. Assim, o começo está quando decidimos ir. Perceber que a trajetória do zig-zag está relacionada com a resiliência da memória que transita sobre o tempo em busca de novos significados agindo como um desfoque nas fronteiras do estar, chegar e conhecer.

Essa é uma obra que habita e se ergue na memória, e, acima de tudo, convida a olhar para a escuridão do tempo presente, que propõe transitar novamente em um vai-e-vem expandindo os limites para onde estivermos seguindo. Transformar a rampa em um sujeito criador sobre a sombra do presente é também ser tragado por ela em um movimento de vestir, unir-se-á na palavra contemporâneo propondo um refúgio para a construção de um futuro desconhecido, tal como a cidade que a observa e escreve sua história no esforço da retomada de ar necessária após a subida. Desse modo, a forma de taça brinda a rampa em um encontro harmônico estrutural.


Foto Diego Mere

 

A profundidade do primeiro mergulho

Foi assim, discutindo sobre a diferença entre nós e os rinocerontes e a capacidade que temos de fazer metáforas, foi assim que o sábado começou. Dia 11 de julho de 2015, um dia quente para um inverno, porém muito bonito do lado de fora das janelas da Biblioteca Pública de Niterói. Estávamos lá eu, Laura Yunes, Diego Mere, Luiza Rezende e Diogo Camillo, que iria palestrar no enceramento do dia, e organizávamos os últimos detalhes do nosso grupo de estudos sobre processo criativo.

A publicação digital ZineDisfunção deu lugar a um grupo de estudos mensal, de mesmo nome, sobre criatividade e seus padrões – já falamos muito sobre isso no post anterior, e todas as inquietações que tínhamos ao pesquisar sobre o assunto foram traduzidas para esse novo formato.

Dividimos o grupo de estudos em três partes, uma onde apresentávamos algumas provocações para propor que todos interagissem. A intenção era refletir sobre as ideias que estão sempre em nossas cabeças mas que, por muitas vezes, não temos respostas ou não dedicamos tempo bastante para entendê-las. Provocações que não sabemos qual será o retorno, mas que propõem um mergulho muito bom no campo das ideias, como: “O que é criatividade?” ou “Crianças são criativas?”. Coisas incríveis acontecem quando provocamos as pessoas, elas falam e aos poucos vamos construindo conhecimento e troca de forma muito natural.

Porém, tudo tem seu tempo, e o segundo momento do evento se construiu com a Blueberry Pie e seu café encorpado de ideias, onde fez, com um outro estímulo, com que ninguém saísse do clima e do tema. Assim pudemos perceber que as conexões estavam ali, flutuando sobre as nossas cabeças, e que a ambientação do espaço se fez mais presente do que nunca.

Junto com Marlus Araujo, uma das mentes mais inquietas no campo da programação – que tivemos o prazer de conhecer – fizemos um “termômetro” para medir as ideias. Com um microfone, captávamos o som do ambiente e a imagem projetada na parede se convertia em distorções de acordo com a temperatura das conversas. E quanto mais se falava, mais se pensava, mais participávamos, mais podíamos ver que quase não dava mais para ler o que estava escrito na parede; um sinal de que tudo estava acontecendo e que as ideias estavam sendo geradas com grande intensidade.

Se quiser experimentar, vamos deixar o link logo abaixo (use o Chrome para ver o resultado):
http://marlus.com/zine-disfuncao

Podemos até chamar de terceiro ato, mas foi somente a volta do “Coffee No Break“, onde Diogo Camillo, nosso convidado para ministrar uma palestra sobre modelos mentais, entrou em cena. Diogo é designer, consultor em inovação social, inquieto e questionador, e no último sábado ele levou um saco de pulgas para todos nós, principalmente quando começou a palestra dizendo que existem dois modelos mentais e que eles podem nos ajudar, e muito, nos momentos criativos. O equilíbrio entre esses modelos foi o tema central de toda a discussão. E foi assim, cheio de perguntas e também com algumas provocações, que fechamos o primeiro dia do grupo de estudos sobre criatividade mediado pelo Sopa.

Esse é o clima que procuramos fomentar, um lugar onde as ideias possam circular sem grandes impedimentos e, mais do que isso, que possam encontrar ambientes onde as pessoas estejam preparadas para articular as grandes ideias que podem mudar o curso de nossas próprias histórias quando se fala de abordar a criatividade como força de trabalho.

O grupo de estudos é uma parceria do Sopa com a Biblioteca Pública de Niterói e vai acontecer uma vez por mês, sempre aos sábados, até dezembro. O próximo será no dia 08 de agosto e o tema escolhido é Mundo Codificado. O grupo é gratuito e é para todos que têm interesse no assunto.

 

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Fotos: Laura Yunes, Diego Mere e Luiza Rezende

 

 

SOPA + Biblioteca Pública de Niterói

Foi na forma de convite que tivemos a oportunidade de imergir no assunto. Nos longos papos na Semana do Livro Infantil da Biblioteca Pública de Niterói, onde fizemos o lançamento do livro Me dá um abraço? – primeiro lançamento de um livro digital dentro de uma biblioteca – que as ideias começaram a criar forma. E desse modo, entre as paredes da BPN, conversando com os “mandachuvas”, que nossos sensores para papo aguçaram, e saímos dali com a oferta de ministrar uma palestra sobre a palavra digital e o futuro do livro; me arrisco até a dizer, futuro das bibliotecas diante desse momento digital do livro.

Planejamos tudo com duas a três semanas de antecedência, como seria o nosso dia 22 de maio a partir das 16h. Reunindo nossas melhores referências, desenvolvemos as telas e ensaiamos uma palestra. Ensaiamos, ensaiamos e ensaiamos, até que todos aqui no Sopa estivessem repetindo as mesmas frases: “o livro impresso e o digital não competem, seria como comparar um carro com uma moto”; ou “precisamos entender o processo que o livro está sofrendo para propor soluções mais interessantes”. E, assim, fomos desenvolvendo os trilhos para nossa palestra.

O que mais nos desafiava era fazer o pensamento de abstração proposto pela palavra “digital” ser captado por todos. Para isso, contamos com as reflexões do livro Objeto Ansioso de Harold Rosenberg e seus ensaios sobre o Expressionismo Abstrato para fazer uma conexão entre retratar a realidade e as interferências que o digital propõe, conectando ideias com perguntas e observações mais instigantes do que tudo que poderíamos tentar dizer naquele momento. Ainda nas refreadas para trocas de ideias e pensamentos, que as percepções de Vilém Flusser nunca fizeram tanto sentido: todas aquelas superfícies que reconhecemos no ambiente eram de papéis sendo arranhados por lápis nervosos de ouvintes atentos, ávidos por salvar ideias e criarem suas opiniões para formar partidos sobre o futuro do livro e seus espaços.

Foi uma experiência e tanto poder trocar essas questões e ouvir outras sobre como as pessoas estão se relacionando com o livro e o seu futuro. Nós, do Sopa, gostamos muito de instigar esse tipo de diálogo – e eu mais ainda de falar sobre arte e processo criativo.

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Estamos muito animados com as futuras possibilidades que serão construídas nesta parceria SOPA + BPN.

Cidadania, Democracia e Novas Tecnologias de Informação e Comunicação

A informação e a comunicação são direitos políticos fundamentais para o exercício da cidadania. Para participar democraticamente, se manifestar e lutar por direitos, é indispensável ter acesso a informações, as mais qualificadas e amplas possíveis. E sem livre comunicação as informações não circulam. Parece que estamos diante de um círculo vicioso de interdependências. Mas onde está o problema? Exatamente no poder de controlar a informação e a comunicação. Em todas as sociedades, em todos os tempos, informação e comunicação são questões de poder. Mais do que com armas e força bruta, para democratizar o poder é mais eficaz o esforço de democratizar a informação e a comunicação. Esta é uma tarefa essencialmente de cidadania, no seio da sociedade civil, que deve ser capaz de produzir e difundir informações estratégicas, motivadoras, criadoras de imaginários agregadores e capazes de gestar movimentos cidadãos irresistíveis.

É em torno a tais questões que se desenvolve na sociedade o debate fundamental da democratização da comunicação. Entre nós, ainda prepondera um poder privado que controla de forma dominante os grandes meios de comunicação e o fluxo de informações, transformando-os na base de um negócio privado. Pior, a liberdade de comunicação se confunde com a liberdade dos donos dos meios de comunicação, ao invés de ser liberdade da cidadania em aceder a informações e se comunicar. Mesmo diante do monopólio, a cidadania soube ser inventiva e criar formas alternativas de comunicação de si e para si. No nosso Brasil, a luta contra a ditadura se fez quase na clandestinidade, na base de panfletos, fitas cassete, vídeos educativos, jornalecos de sindicatos e movimentos. Claro, mesmo sob censura, tivemos Pasquim e Movimento, que ajudaram e muito.

As novas tecnologias e informação e comunicação (NTIC), baseadas na informática e na cultura digital em rede, sobretudo a partir dos anos 90 do século passado, vêm abrindo novas e surpreendentes possibilidades para a cidadania. Aqui se destaca a Internet e seus inúmeros desdobramentos. Estamos diante de uma revolução cultural com grande impacto na política, no modo de ver o mundo e o nosso lugar nele, no modo de nos relacionarmos e criarmos um novo saber, compartilhado no ato mesmo de produzi-lo. Vivemos uma sensação de simultaneidade, de estarmos num lugar, mas conectados praticamente com quem quer que seja, participantes à distância do que se passa em outros lugares. Claro, o grande negócio tenta privatizar e controlar este maravilhoso campo para a sua acumulação. Mas cresce de forma poderosa a ideia de que estamos diante de um bem comum criado que não pode ser mercantilizado. Sua força reside na colaboração, no compartilhamento, na liberdade, na construção de redes sociais, portanto, na manutenção de seu caráter de bem comum, de todas e todos.

Hoje uma frente de luta cidadã que precisa ser a mais radical possível é superar a exclusão digital, pois muita gente ainda não tem acesso às NTIC. Outra frente é a multiplicação de iniciativas autônomas de informação e comunicação, abertas ao mundo. Claro, a língua ainda é uma barreira, mas cada vez mais as novas tecnologias permitem desenvolver softwares tradutores, facilitando uma espécie de comunicação planetária. Aliás, a primeira grande batalha cidadã na era digital iniciou em torno do software livre.

Mas temos um desafio novo: as possibilidades das redes sociais na emergência de novos movimentos, como em grande medida ocorreu entre nós no tal “estouro da cidadania” de junho de 2013. Nova comunicação trará, com ela, novos sujeitos coletivos? Uma questão clara é como articular a necessidade de tornar visível o invisível na agenda pública – aquilo que não é notícia para a mídia negócio? Ao mesmo tempo, como construir e disputar interpretações e sentidos, propostas e direções, capazes de criar movimentos que radicalizem e revitalizem a democracia? São muitos e inspiradores os desafios para organizações de cidadania ativa.

Entre triângulos e planos

Traduzir as ideias para um texto, que logo de cara tem o compromisso com esse pensamento do Hans Hoffmann, que tanto admiro, nos coloca na obrigação de escolhermos as palavras com tanto cuidado que só é possível com as pontas dos dedos em pequenos gestos circulares em busca da textura certa.

Foi assim que desenvolvi minha resposta ao aceitar o convite do Lui Azevedo para participar do segundo dia do projeto Triângulo. O desafio era montar uma palestra e compor um debate sobre o tema interface, e junto com Marlus Araujo e Pedro Segreto formávamos o triângulo da noite. O objetivo maior era apresentar discussões sobre o passado, o presente e, principalmente, o futuro das interfaces, uma oportunidade perfeita para compartilhar alguns insights que venho amadurecendo aos poucos. Gosto de pensar na relação entre o movimento abstrato das artes plásticas, em particular o Expressionismo abstrato, e as novas interfaces com a pluralização de gadgets e novos formatos, como o livro digital.

Ao olhar para esses acontecimentos, pude notar que o mesmo movimento que deu origem as abstrações, mesmo que de forma simplificada, se repetem nos dias de hoje nas interfaces dos usuários e nos canvas dos projetistas. Tentarei situar esse papo no descompromisso conquistado de representar a realidade. Para exemplificar de forma grosseira: seria algo como quando a fotografia assumiu a responsabilidade de representar o real pelo seu efeito instantâneo de captura de um frame, que, consequentemente, proporcionou aos pincéis a “liberdade subjetiva” que existe por detrás das ideias. Um grande exemplo desse movimento são os touros do Picasso, uma série de desenhos feitos ao longo de seus anos. Picasso se auto retratava como sendo um minotauro e essas garatujas ganham forma simplificada no início e vão se complexificando a medida que o próprio consegue se perceber, o que traduz nessa assinatura as minúcias da sua percepção. Na medida que o tempo cumpre o seu papel, a sabedoria somada a experiência faz com que gradativamente o desenho se liberte da realidade e encontre a simplicidade, e a cada nova tentativa só o necessário floresce entre as linhas. Quando juntos, todos esses desenhos, fica claro que o último é infinitamente mais simples que o primeiro, porém infinitamente mais rico.

Não existe arte abstrata. Sempre se deve começar com algo para depois remover todos os traços da realidade. E assim, a ideia do objeto terá deixado uma marca indestrutível – Pablo Picasso

Na sequência das garatujas, o que mais chama a atenção é a forma como o último desenho não está mais impregnado com a realidade. Ele simplesmente abstrai o resto pictórico que existia do touro, porém a essência ainda está lá, formando a assinatura do próprio Picasso e se configurando como sujeito sem forma, que mesmo assim ainda é o touro.

Sendo interface o lugar onde essa conversa deve se manter, volto a olhar para as pinturas do Action Painting. E dessa vez, com um olhar mais amplo sobre a pintura abstrata. Todos sabemos e percebemos que mesmo não havendo uma forma definida, cada gesto escolhido pelo pintor nos leva a uma reação. Vamos de obras pálidas, com pouca intonação e que requerem mais tempo de observação para se ter uma reação, e também de obras mais fortes, que mal cabem em nossos olhos. Esta segunda nos leva a respostas instantâneas e muitas vezes intuitivas. Toda essa teoria, se transportada para as interfaces, se desenvolvem com a naturalidade de um cursor ou um scroll. Pego um exemplo aleatório, o ícone composto por uma nuvem e uma seta para cima ou para baixo, “enviar um arquivo” ou “receber um arquivo”o nível de pictoriedade desse desenho está quase abstraído, porém o entendimento é lógico e claro. Mas olhe novamente, nuvem somada a uma indicação de sentido/direção não representa muito, ou quase nada, no mundo físico.

Assim é a forma como costumo pensar ao me deparar com um novo projeto de interface, principalmente falando de livro digital – que de livro só possui a essência. Se cortarmos o desnecessário, abre-se aí muito espaço para o novo. Por aqui, costumo falar que não mais preciso de uma lixeira com cara de lixeira para que eu descubra onde devo “jogar” meu lixo.

Essa é a maior provocação que encontro escondida no cerne de um novo projeto e de uma nova ideia, é a partir dessa intuição que construímos as interações com os usuários, leitores ou qualquer maneira que queira descrevê-los. Mas saiba que, no final das contas, tudo está interligado e cada escolha, cada minúcia, sugere uma reação. O caminho das possibilidades está a cada dia mais plural, ou seja, um castelo infinito de oportunidades inusitadas, basta apenas ter coragem de escolher o caminho e conseguir se justificar nele.

Foi assim que conclui minha participação no Triângulo, tentando olhar para as mesmas coisas que vemos todos os dias com o desejo de encontrar novos caminhos para discutir sobre as fronteiras dos rótulos que impomos a nós mesmos.

Um tutorial de cada vez

Pegando o gancho do papo com o Walter na semana passada, e claro, com um pouco da ajuda dele, vamos tentar resolver um probleminha que reparamos e escutamos muitas pessoas comentando por aí: “Como eu faço para comprar um ebook no meu iPad?”. Na verdade, o método de compra do iPad é igual para quem tem Mac, iPhone, iPod Touch e por aí vai. O que importa é ter o iBooks, que, graças ao iOS 8, já vem como um app nativo no dispositivo. Vou parar com os “i” por aqui…não quero que pense que somos uns applemaníacos (será que ainda dá tempo de disfarçar?).

Como você já sabe, os livros digitais não são PDF’s e muito menos documentos de Word, e os leitores, e-readers, não são somente um lugar para guardar os livros que você adquire. Começando pelos livros, o famoso ePub é um compilado de programação para que o conteúdo possa assumir o comportamento desejado, tanto pelo autor quanto pelo editor. Existem dois tipos de livros, os de texto, chamados reflowables, e os de layout fixo, que são mais usados para trabalhar com imagens e interatividade. Não que os de texto não sejam interativos, porém os de layout fixo possuem mais possibilidades, como vídeos, trilha sonora, quiz e, em alguns casos, minigames dentro do livro.

Porém, o foco desse post é falar do e-reader da Apple, o iBooks, e te explicar como adquirir seus livros por lá. Além de funcionar como uma estante, ele possibilita o controle de brilho da tela, faz pesquisa no texto do livro, salva e compartilha notas, marca trechos interessantes e, o melhor de tudo, você pode encontrar e comprar uma cassetada de livros, de várias editoras e até mesmo de autores independentes, todos no iBookstore. Vamos fazer um passo a passo bem simples para mostrar como comprar e enviar de presente um bom livro! E como todos sabem, livro nunca é demais.

Step by step 

1 de 5 – Encontre o aplicativo iBooks

O iBooks é o ícone laranja que vem na primeira página do iOS – isso se você não mudou ele de lugar – no Mac, ele já vem no Dock. Só não confunda com o “Dicas”, o aplicativo de ícone amarelo com uma lâmpada. Se não achar, use a busca e digite o nome do app.

2 de 5 – Como chegar na livraria mais próxima de você

Ao entrar na sua biblioteca no iBooks, vai notar que na barra inferior tem algumas abas, como as Meus Livros; Destaques; Mais Vendidos; Autores em Alta e Comprado. Aqui já indica que existe a possibilidade de se fazer uma compra ou até mesmo indica a existência de uma livraria.

Para acessar a livraria, basta tocar em Destaques. Claro que você precisa de uma conexão com a internet (3G, 4G ou Wi-Fi). Na aba Destaques estão todos os principais livros, tanto as novidades quanto os bestsellers separados em categorias.

3 de 5 – O livro que eu quero não está na lista

Se o livro que você quer não estiver na lista dos mais vendidos ou não for tão famoso assim, na barra superior do iBooks tem um campo de busca. Lá você pode digitar o nome do autor ou o título da obra, e até mesmo o nome da editora, para achar o ebook que deseja ler.

4 de 5 – Parte mais simples e mais complexa

Depois de localizar o livro, basta apenas clicar no botão com o valor e depois confirmar clicando em Comprar Livro. Caso o livro seja gratuito, apenas clique em Obter e depois insira os dados da sua Apple ID. Se ainda não tiver uma Apple ID, clique aqui ou se quiser saber mais como atualizar os dados do seu cartão de crédito clique aqui.

5 de 5 – Meus Livros

Após efetuar a compra, o livro irá carregar nas abas Meus Livros e Comprado. Daqui pra frente, é só seguir as instruções que aprendemos na alfabetização até terminar o livro.

Extra de brinde:

Caso você seja uma boa pessoa e goste de presentear com livros, o Gift é um recurso bem simples de usar. Após escolher o ebook que deseja dar, vá até o canto superior direito, no ícone de compartilhar, que a opção Presentear vai estar logo no início. Siga os mesmos passos de antes (dados da Apple ID) e não esqueça de colocar a Apple ID de quem quer presentear. Um detalhe: esse recurso só funciona entre dispositivos da Apple.

Viu? Nem é tão difícil assim!

Começar e recomeçar

Começar e recomeçar. É assim que 2015 chega aqui no Sopa. Pela primeira vez podemos observar o ano que passou e tudo o que vivemos, conquistamos e aprendemos nos 365 dias corridos. Foi intenso! Novas parcerias e novos projetos que nos levaram a mundos inusitados, de cavalos a porcos-espinhos, de revistas a livros. Mas, o que mais nos chamou a atenção na nossa análise sobre nós mesmos é como 2014 foi dedicado a você. Sim, você que por algum motivo nos conheceu e se identificou com um modo de pensar que mistura criatividade, um pouco de “Y” e muita experimentação em busca de conhecimento.

Estamos por aqui dedicando nossas energias para que um mercado mais eficiente possa se construir no que carinhosamente chamamos de “editorial digital”. Desejamos intensamente que você possa ler grandes obras, não só as do Sopa, e perceba que estamos vivendo em meio a uma grande reconstrução, na qual as paredes, os tetos e o chão estão sumindo e só nos resta a memória de algo que adoramos. Os livros estão, a cada dia, se tornando abstratos, objetos mais íntimos do conhecimento do que do peso ou do cheiro, mas aos poucos vão ganhando novas caraterísticas para tornar essa realidade mais fantástica do que já é.

Queremos que você encontre aqui no “Reverbe” um parceiro para trocar ideias e insights para os melhores papos possíveis. De nossa parte, tenha certeza que encontrará muito sobre livros, processo criativo e muitas ideias. Seja bem-vindo ao Sopa e ao nosso novo site/blog.

E para não perder a mão, desejamos um feliz tudo novo para você!

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