“O livro eletrônico é o futuro”

“O livro eletrônico é o futuro”. Essa é a minha habitual frase de entrada. Repetida inúmeras vezes para um número sempre novo de ouvintes, encontro as mesmas reações mescladas: a fascinação ou a descrença. Infelizmente posso dizer que tenho visto mais da última do que daquela primeira. Talvez seja por ainda ser uma novidade.

Em resposta, os comentários são muitos, em contraponto às expressões. “Os livros físicos jamais perderão seu apelo”, diz um. “Eu gosto da textura e do conforto do papel”, afirma outra. “Um livro não precisa ser recarregado”, diz aquele terceiro. E assim vão, golpes certeiros contra um argumento antes sólido.

“O livro eletrônico é o futuro”, repito, sorrindo.

Não o faço carregado com sarcasmo, nem com desprezo pelo argumento adversário. Não se trata de uma competição; não neste caso. Trata-se de uma convicção obtida sob muito esforço, de quem advogou para dezenas de editoras ao longo dos anos, mas que ainda tem visão e juventude guardados de sobra para se manter fiel ao potencial da tecnologia contemporânea para revolucionar. E, também, amparado em anos de estudo sobre o tema, é claro. Vamos à história?

Falar da história do livro é, de certa forma, tratar um pouco da história dos direitos autorais. Das relações de trabalho às relações humanas mais básicas, o reconhecimento, ainda que intuitivo, de quem é o autor de uma obra acompanha a história da criação humana: da supremacia do seu intelecto sobre o meio ambiente.

Não é de se estranhar, portanto, que o avanço dos séculos, ao trazer o ser humano à Era da Informação do século XXI, tornou ainda mais claro e constante o ritmo de criação humana e a necessidade de se refletir sobre a herança histórica do que se considera autor. Hoje, os trabalhos humanos puramente mecânicos e físicos tornam-se gradativamente menos necessários, entregues ao domínio da mecanização global, permitindo ao ser humano entregar-se às atividades contemporâneas exclusivamente intelectuais – que são exatamente o campo de estudo dos direitos autorais: produções artísticas, manifestações culturais, científicas e, porque não, industriais.

Mas, o que tem tudo isto a ver com o livro, o suporte, em si? Para responder permito-me transcrever um sábio Thomas Jefferson: “aquele que recebe uma ideia de mim, recebe ele mesmo instrução sem diminuir a minha; como aquele que acende sua vela na minha, recebe luz sem me colocar na escuridão”. Em síntese, o conhecimento quer ser livre. É esta a sua natureza.

“aquele que recebe uma ideia de mim, recebe ele mesmo instrução sem diminuir a minha; como aquele que acende sua vela na minha, recebe luz sem me colocar na escuridão”

Então, quando verifico a crise pela qual muitas editoras (algumas, íntimas conhecidas) passam no início deste século que promete, reafirmo: não se trata de uma tendência econômica, mas de uma verdadeira queda de braços entre a evolução tecnológica e social e a necessária (e decerto consciente!) resistência de um modelo econômico que não corresponde mais ao que vem sendo produzido a partir das novas propostas de labor contemporâneo.

Ora, até o século XV, o livro era um bem extremamente valorizado e caro. Pesados, feitos à mão e de forma demorada, transcritos por “especialistas” (que muitas vezes eram valorizados pelas próprias opiniões que inseriam nos escritos originais), os livros eram uma obra de arte – no seu sentido mais estrito. Capas de couro e iluminuras eram comuns de serem encontradas nos poucos exemplares que existiam.

Era neste cenário em que o famoso “Príncipe dos Editores”, Vespasiano da Bisticci, florescia na Itália. Um verdadeiro negociante destas raras obras, Vespasiano era nada menos do que um homem adaptado à tradição, e tornara-se rico com ela. Os homens e mulheres da classe nobre dessa época lhe procuravam quando queriam adquirir uma obra.

Ocorre que felizmente (apenas para nós, é claro), a tradição logo abandonaria o “Príncipe”. A invenção de Johannes Gutenberg daquele século, o tipo mecânico móvel, iniciaria uma revolução que só mudaria de marcha no final do século XX. A partir deste momento, livros não seriam transcritos aos poucos, mas impressos às toneladas. As ideias circulariam o mundo, e com elas, a Renascença, a Reforma e a Revolução Científica.

Penso que é correto estipular que a primeira reação do “Príncipe dos Editores”, ao ver seu primeiro livro impresso seria de desprezo. Mal acabado, sem iluminuras, sem classe. Alguém lhe diria: “isto é o futuro”. Seguir-se-ia um olhar descrente.

Bom, o resto, como dizem, é história. Em poucos anos, Vespasiano da Bisticci estaria falido. O livro escrito à mão não se tornaria nada mais do que uma cara excentricidade, relegada a uma nota de rodapé do mundo moderno. Por mais outros 500 anos, o livro impresso no tipo móvel de Gutenberg ganharia o mundo.

500 anos? Não mais, não menos. Veremos. Afinal, há inúmeras razões para se repensar o uso do papel e construir o novo lugar dos livros impressos. Onde devemos repensar o uso do espaço físico, das árvores, dos químicos na preparação do papel e seus impactos no meio ambiente, das dificuldades na reciclagem. Em contra ponto a energia renovável, a tecnologia, a comodidade, a redução nos custos, os preços menores. A natureza imaterial do conhecimento e da cultura pressionando por uma liberdade maior do que àquela que o suporte impresso pode fornecer. Isso sempre. E, contra todas essas, apenas uma: tradição.

Os muitos homens e mulheres que me cercam com certa descrença hoje não me oferecem mais do que Vespasiano da Bisticci poderia oferecer aos seus contemporâneos visionários. Certamente não oferecem mais aos idealizadores da Editora Sopa do que seus próprios concorrentes presos à tradição.

De visionários, não esperem menos que a loucura. E à beira dela, uma outra Revolução.

Mas, se outrora um príncipe caiu, que seria desses pobres mortais descrentes nesse admirável mundo novo fundado por Bill Gates, Steve Jobs, Larry Page, Sergey Brin, Jeff Bezos e tantos outros gênios?

“O livro eletrônico é o futuro.”

Foi essa a frase que eu ouvi da equipe da Editora Sopa, mais especificamente de Laura Yunes e Christiano Mere, em uma tarde de reunião despretensiosa em nosso escritório.

A eles, ofereci de volta o meu sorriso e minha certeza.

O livro eletrônico é o futuro.

Alea iacta est. A sorte está lançada.

Um tutorial de cada vez

Pegando o gancho do papo com o Walter na semana passada, e claro, com um pouco da ajuda dele, vamos tentar resolver um probleminha que reparamos e escutamos muitas pessoas comentando por aí: “Como eu faço para comprar um ebook no meu iPad?”. Na verdade, o método de compra do iPad é igual para quem tem Mac, iPhone, iPod Touch e por aí vai. O que importa é ter o iBooks, que, graças ao iOS 8, já vem como um app nativo no dispositivo. Vou parar com os “i” por aqui…não quero que pense que somos uns applemaníacos (será que ainda dá tempo de disfarçar?).

Como você já sabe, os livros digitais não são PDF’s e muito menos documentos de Word, e os leitores, e-readers, não são somente um lugar para guardar os livros que você adquire. Começando pelos livros, o famoso ePub é um compilado de programação para que o conteúdo possa assumir o comportamento desejado, tanto pelo autor quanto pelo editor. Existem dois tipos de livros, os de texto, chamados reflowables, e os de layout fixo, que são mais usados para trabalhar com imagens e interatividade. Não que os de texto não sejam interativos, porém os de layout fixo possuem mais possibilidades, como vídeos, trilha sonora, quiz e, em alguns casos, minigames dentro do livro.

Porém, o foco desse post é falar do e-reader da Apple, o iBooks, e te explicar como adquirir seus livros por lá. Além de funcionar como uma estante, ele possibilita o controle de brilho da tela, faz pesquisa no texto do livro, salva e compartilha notas, marca trechos interessantes e, o melhor de tudo, você pode encontrar e comprar uma cassetada de livros, de várias editoras e até mesmo de autores independentes, todos no iBookstore. Vamos fazer um passo a passo bem simples para mostrar como comprar e enviar de presente um bom livro! E como todos sabem, livro nunca é demais.

Step by step 

1 de 5 – Encontre o aplicativo iBooks

O iBooks é o ícone laranja que vem na primeira página do iOS – isso se você não mudou ele de lugar – no Mac, ele já vem no Dock. Só não confunda com o “Dicas”, o aplicativo de ícone amarelo com uma lâmpada. Se não achar, use a busca e digite o nome do app.

2 de 5 – Como chegar na livraria mais próxima de você

Ao entrar na sua biblioteca no iBooks, vai notar que na barra inferior tem algumas abas, como as Meus Livros; Destaques; Mais Vendidos; Autores em Alta e Comprado. Aqui já indica que existe a possibilidade de se fazer uma compra ou até mesmo indica a existência de uma livraria.

Para acessar a livraria, basta tocar em Destaques. Claro que você precisa de uma conexão com a internet (3G, 4G ou Wi-Fi). Na aba Destaques estão todos os principais livros, tanto as novidades quanto os bestsellers separados em categorias.

3 de 5 – O livro que eu quero não está na lista

Se o livro que você quer não estiver na lista dos mais vendidos ou não for tão famoso assim, na barra superior do iBooks tem um campo de busca. Lá você pode digitar o nome do autor ou o título da obra, e até mesmo o nome da editora, para achar o ebook que deseja ler.

4 de 5 – Parte mais simples e mais complexa

Depois de localizar o livro, basta apenas clicar no botão com o valor e depois confirmar clicando em Comprar Livro. Caso o livro seja gratuito, apenas clique em Obter e depois insira os dados da sua Apple ID. Se ainda não tiver uma Apple ID, clique aqui ou se quiser saber mais como atualizar os dados do seu cartão de crédito clique aqui.

5 de 5 – Meus Livros

Após efetuar a compra, o livro irá carregar nas abas Meus Livros e Comprado. Daqui pra frente, é só seguir as instruções que aprendemos na alfabetização até terminar o livro.

Extra de brinde:

Caso você seja uma boa pessoa e goste de presentear com livros, o Gift é um recurso bem simples de usar. Após escolher o ebook que deseja dar, vá até o canto superior direito, no ícone de compartilhar, que a opção Presentear vai estar logo no início. Siga os mesmos passos de antes (dados da Apple ID) e não esqueça de colocar a Apple ID de quem quer presentear. Um detalhe: esse recurso só funciona entre dispositivos da Apple.

Viu? Nem é tão difícil assim!

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