Cidadania, Democracia e Novas Tecnologias de Informação e Comunicação

A informação e a comunicação são direitos políticos fundamentais para o exercício da cidadania. Para participar democraticamente, se manifestar e lutar por direitos, é indispensável ter acesso a informações, as mais qualificadas e amplas possíveis. E sem livre comunicação as informações não circulam. Parece que estamos diante de um círculo vicioso de interdependências. Mas onde está o problema? Exatamente no poder de controlar a informação e a comunicação. Em todas as sociedades, em todos os tempos, informação e comunicação são questões de poder. Mais do que com armas e força bruta, para democratizar o poder é mais eficaz o esforço de democratizar a informação e a comunicação. Esta é uma tarefa essencialmente de cidadania, no seio da sociedade civil, que deve ser capaz de produzir e difundir informações estratégicas, motivadoras, criadoras de imaginários agregadores e capazes de gestar movimentos cidadãos irresistíveis.

É em torno a tais questões que se desenvolve na sociedade o debate fundamental da democratização da comunicação. Entre nós, ainda prepondera um poder privado que controla de forma dominante os grandes meios de comunicação e o fluxo de informações, transformando-os na base de um negócio privado. Pior, a liberdade de comunicação se confunde com a liberdade dos donos dos meios de comunicação, ao invés de ser liberdade da cidadania em aceder a informações e se comunicar. Mesmo diante do monopólio, a cidadania soube ser inventiva e criar formas alternativas de comunicação de si e para si. No nosso Brasil, a luta contra a ditadura se fez quase na clandestinidade, na base de panfletos, fitas cassete, vídeos educativos, jornalecos de sindicatos e movimentos. Claro, mesmo sob censura, tivemos Pasquim e Movimento, que ajudaram e muito.

As novas tecnologias e informação e comunicação (NTIC), baseadas na informática e na cultura digital em rede, sobretudo a partir dos anos 90 do século passado, vêm abrindo novas e surpreendentes possibilidades para a cidadania. Aqui se destaca a Internet e seus inúmeros desdobramentos. Estamos diante de uma revolução cultural com grande impacto na política, no modo de ver o mundo e o nosso lugar nele, no modo de nos relacionarmos e criarmos um novo saber, compartilhado no ato mesmo de produzi-lo. Vivemos uma sensação de simultaneidade, de estarmos num lugar, mas conectados praticamente com quem quer que seja, participantes à distância do que se passa em outros lugares. Claro, o grande negócio tenta privatizar e controlar este maravilhoso campo para a sua acumulação. Mas cresce de forma poderosa a ideia de que estamos diante de um bem comum criado que não pode ser mercantilizado. Sua força reside na colaboração, no compartilhamento, na liberdade, na construção de redes sociais, portanto, na manutenção de seu caráter de bem comum, de todas e todos.

Hoje uma frente de luta cidadã que precisa ser a mais radical possível é superar a exclusão digital, pois muita gente ainda não tem acesso às NTIC. Outra frente é a multiplicação de iniciativas autônomas de informação e comunicação, abertas ao mundo. Claro, a língua ainda é uma barreira, mas cada vez mais as novas tecnologias permitem desenvolver softwares tradutores, facilitando uma espécie de comunicação planetária. Aliás, a primeira grande batalha cidadã na era digital iniciou em torno do software livre.

Mas temos um desafio novo: as possibilidades das redes sociais na emergência de novos movimentos, como em grande medida ocorreu entre nós no tal “estouro da cidadania” de junho de 2013. Nova comunicação trará, com ela, novos sujeitos coletivos? Uma questão clara é como articular a necessidade de tornar visível o invisível na agenda pública – aquilo que não é notícia para a mídia negócio? Ao mesmo tempo, como construir e disputar interpretações e sentidos, propostas e direções, capazes de criar movimentos que radicalizem e revitalizem a democracia? São muitos e inspiradores os desafios para organizações de cidadania ativa.

Walter Mattos e seus tutoriais

Saudações leitores do Reverbe! Me chamo Walter Mattos, sou designer de marcas e possuo um Blog onde compartilho dicas e tutoriais em vídeos com outros designers.

Hoje estou aqui honrosamente como autor convidado para compartilhar o método de criação dos meus vídeos, que vocês podem conhecer através do meu canal no Youtube.

A ideia

Não tenho uma ordem ou técnica específica para encontrar uma boa ideia. Ela pode vir através de um pedido de leitor ou a qualquer momento, inclusive enquanto estou na rua – neste caso, anoto a ideia no celular.

Cada ideia que surge vai para uma pasta no meu computador chamada “Rascunhos”, onde defino um nome temporário para o título e incluo todas as referências que coletei até o momento. Entre estas referências estão imagens, outros artigos, vídeos ou anotações com páginas de livros que irão me ajudar a desenvolver o conteúdo. Como os vídeos não são produzidos no dia em que nasce a ideia, mas muitas vezes semanas depois, é comum eu esboçar o roteiro através de tópicos ou lembretes no dia em que salvo as referências. Assim, quando eu for escrever o texto final, saberei por onde começar.
 
Nem todas as ideias são boas o suficiente para se tornarem artigos ou vídeos, mas muitas vezes volto numa ideia antiga e ela se transforma em outra que acaba sendo publicada – praticamente um processo de reciclagem. Hoje tenho 120 ideias não publicadas na pasta “Rascunhos”.

Periodicidade

Como sou designer em tempo integral, preciso planejar bem meu tempo de dedicação no Blog. Minha meta é investir pelo menos 2 horas por dia em conteúdo, incluindo elaboração de ideias, desenvolvimento de textos ou gravação de vídeos, mas não é sempre que consigo – principalmente quando o volume de trabalho é alto ou estou com muitos afazeres pessoais. Hoje, por exemplo, estas duas horas estão sendo investidas neste artigo que você está lendo.

Deixando claro que nem sempre 2 horas são suficientes para terminar um artigo ou vídeo. Dependendo da complexidade, pode levar dias ou semanas para chegar no produto final.

Exemplo 1: narrativa

Este, por acaso, é o meu último vídeo lançado até o momento. Se vocês assistiram, pelo menos, 2 minutos devem ter reparado que ele é composto pela minha narração e algumas imagens estáticas que são exibidas de acordo com o que estou falando. A dificuldade está no fato de que cada imagem tem que ser pensada e criada individualmente, para depois ser sincronizada e animada. O processo completo fica assim:

- Desenvolvimento do roteiro;
– Gravação do áudio;
– Preparação das imagens com base no áudio;
– Sincronização entre imagens e áudio;
– Criação das imagens de capa do Youtube, blog e redes sociais;
– Criação da legenda em português;
– Publicação do vídeo;
– Preparação das imagens do vídeo para artigo no Blog;
– Publicação da versão transcrita do vídeo no Blog.

Clique aqui para ver a versão transcrita deste vídeo. 

Costumo publicar uma vez por semana alternando entre artigo e vídeo, o que me dá praticamente 2 semanas para preparar um vídeo, já que começo a desenvolvê-lo paralelamente a um artigo.

Exemplo 2: gravação de tela

Como vocês podem ver, na gravação de tela eu não preciso preparar imagens estáticas. Isso não significa que não dá trabalho, mas no final o processo é mais rápido. Neste caso, o áudio continua sendo gravado antes e a sincronização é feita durante a gravação do próprio vídeo, ou seja, enquanto ouço o áudio que gravei executo o que está sendo falado no meu programa enquanto a tela é gravada. Falando assim parece complicado, mas acredite… é mesmo. O processo completo fica assim:

- Desenvolvimento do roteiro;
– Gravação do áudio;
– Gravação da tela com base no áudio;
– Criação da legenda em português;
– Criação das imagens de capa do Youtube, blog e redes sociais;
– Publicação do vídeo;
– Preparação das imagens do vídeo para artigo no Blog;
– Publicação da versão transcrita do vídeo no Blog.

Clique aqui para ver a versão transcrita deste vídeo.

Vocês devem estar curiosos em relação ao fato do áudio ser gravado antes. Faço isso para evitar erros ou aquelas pausas desnecessárias tipo “hmm”. Então se eu ouvir, por exemplo, a frase “clico no menu” eu simplesmente clico no menu e a sincronização está feita. Não tem erro.

Muitas pessoas me perguntam: “Mas por que você não grava o vídeo antes do áudio?”

Assim nunca saberia o tempo certo de explicar determinada ação. Correria o risco de ter que falar rápido ou lento demais.
 
De qualquer forma, este método não é uma obrigatoriedade e muitos conseguem gravar vídeo e áudio ao mesmo tempo com perfeição. Escolhi fazer assim, simplesmente, porque me deixa mais confortável, ciente de que o tempo de produção é um pouco maior.

Para finalizar

Antes de publicar meu primeiro tutorial, há quase 1 ano, eu não sabia nada sobre produção ou edição de vídeo. Na verdade, o primeiro vídeo foi gravado e editado enquanto eu estava estudando este mecanismo (e ainda sei muito pouco sobre o assunto). Por incrível que pareça, este mesmo vídeo foi o mais visto até hoje, com mais de 20 mil visualizações até o momento. Clique aqui para ver meu primeiro tutorial.

A lição que eu tiro daí é que não importa se você é expert ou não em edição, o que importa é seu conteúdo. Então se vocês estão começando ou pretendem começar a desenvolver tutoriais em vídeo, não desanimem por não conhecerem ou não dominarem as ferramentas.

Vocês só precisam de um computador, um microfone e uma boa ideia.

Espero que tenham gostado deste artigo. Caso queiram acompanhar meu trabalho, vocês podem se inscrever na minha Newsletter para receber novidades do blog a cada 15 dias.

Um abraço e até a próxima.

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