tocanatela
23/02/2016
por Christiano Mere
Categorias: Arte, Misc
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Pode tocar na obra

Pode tocar na obra

O que de fato é o conteúdo e suporte para a comunicação nos tempos de hoje? Essa é a questão que mais nos instiga em investigar, pois aqui se escondem assuntos que expandem nossa percepção e transformam nossos fixos em fluxos.

A ideia de digital pode ser atrelada aos grandes eventos de inovação, tanto tecnológicos quanto sociais, comportamentais e por aí vai. Tudo que conhecemos pela natureza de suas formas, peso e lugar vem se configurando para uma existência menos palpável, em um processo de reorganização de suas “funções” e presença em nosso cotidiano. Já falamos sobre isso no post Entre triângulos e planos há algum tempo, porém retomar o assunto hoje é, de alguma forma, relembrar onde estávamos naquele momento e onde estamos agora: com novas questões sobre lugar e tempo. Esse tempo que construímos ao mesmo tempo em que vivemos.

Começo esse texto considerando alguns pontos, e acredito que você já tenha se deparado com essas questões ou escutado por aí algumas indagações neste sentido, mas de toda forma, tento, mesmo que sutilmente, encostar no último fio da meada e retomar a discussão sobre o que está acontecendo com os meios de produção de conteúdo. Digo conteúdo como algo não restritamente escrito, mas todas as cifras que o tempo exapta para contar sua história.

É evidente que os filmes, fotos, teatros, músicas e livros não são mais os mesmos. Talvez, nós também não sejamos mais como antes, talvez a forma que processamos o conteúdo tenha alterado em sua formação genética para algo híbrido, trans, que solicita novas fronteiras do existir. Dessa maneira, a reflexão que pede uma observação honesta dos nossos atos pode dar dicas do que está acontecendo com a natureza dos objetos que nos cercam. Como, por exemplo, o ingresso do cinema ou a música nos celulares.

Um outro exemplo dessa reconfiguração é a produção de filmes que vão além das críticas construídas. Para os novos filmes que se propõem a investigar a maneira de narrar não-histórias que não sejam mais interpretadas por atores, mas sim a construção de obras, vetores particulares únicos que utilizam dos suportes convencionais para deslocar seus atos em busca de outras consequências. Outro ponto de vista pode ser o uso dos livros digitais, que estão inaugurando outros lugares do imaginativo. Onde os recursos, que a cada dia abrem espaço para novas APIs, alteram como mutações a sua construção literária. Não mais desejamos estar nos mesmos lugares cognitivos do passado, é possível explorar novos campos da imaginação, é possível pensar algo que jamais pensaríamos antes na relação com o conteúdo. O poder dessa forma de pensar é de tal proporção que nos permite repensar em como construir outras formas de existência ao defender ideias e apresentar pontos, transitando por configurações e funções objetivas e subjetivas do conhecimento. Nada mais do que a convergência de texto, som, imagem, vídeo e toque em sua forma ampliada de existir.

O desbravar de outros espaços também implica em novas responsabilidades e novos saberes, mas mais do que isso, representa o reconhecer nossa trajetória não linear na construção de nós mesmos. Assim, abre um discurso sobre tecnologias digitais e seus recursos, e também a capacidade “horizontalizante” que temos em mãos. Talvez o exercício de construírmos esse lugar seja o mesmo de olharmos nosso entorno em busca de respostas que nos potencializem em mais propostas e consciências do devir.

 


 

Foto: Diego Mere; Obra da série Transparentes Brancos de Christiano Mere

 

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  • http://behance.net/luizamaga Luiza Magalhães

    Sensacional!!!
    Mto bom poder discutir a arte, as plataformas e suas apropriações no atual contexto de uma forma tão sensível.
    Parabéns à todos envolvidos.

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