DiaDoLivro
29/04/2015
por Luiza Rezende
Categorias: Sopa
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Semana do Livro Infantil

Semana do Livro Infantil

Uma semana de leitura para os pequenos. É assim que gostamos de comemorar o Dia do Livro Infantil. Para isso, levamos a autora Clara Gavilan para ler o seu livro na Biblioteca Pública e no Telecentro de Niterói, com direito a surpresa no final e um montão de abraços.

- Agora eu vou ler o livro pra vocês enquanto ele vai passando naquela tela, ok?

Apresentavam-se diante de nós, na quarta-feira do dia 15 de abril, cerca de 200 crianças de dois colégios distintos, animadas com a curiosa leitura que fariam naquele lugar enorme, cheio de salas, estantes e pessoas de caras enfiadas em livros; os silêncios pedidos para serem guardados sempre nos bolsos, para que não atrapalhassem a concentração daquelas paredes compenetradas. A Biblioteca Parque de Niterói recebia a leitura do livro “Me dá um abraço?” da autora Clara Gavilan, leitura essa registrável como a primeira de um livro digital numa biblioteca pública. E talvez tenha sido esse o motivo para tanta curiosidade que vagava pelas bocas e ouvidos daqueles meninos e meninas já entendidos de seus próprios sonhos.

Preferiam sentar no chão, porque cadeiras atrapalham a sensibilidade – coisa que só criança pode concordar. Amontoados diante da autora, alguns olhares arregalavam-se ao ver diante deles uma autora a passar as páginas do livro pela tela do iPad, ao mesmo tempo em que a história se reproduzia na grande projeção com seus personagens numa floresta em movimento, com vento que desfolha árvores e desenrola brisa pelo cenário. Acontecia diante de nós uma pergunta nova, uma dúvida entre o que já existe e o que poderia cada vez mais existir: é também um livro a folha digital que pede o toque, a descoberta pelas páginas e a leitura interativa? Sentíamos o impulso do sim no silêncio do virar de cada página, nos diálogos enfeitando cada personagem de repente compreendido.

Ao final da história, aplausos de mãos pequenas; algumas pareciam querer a releitura, outras esperavam o que vinha adiante, naquele misterioso papel enfeitando a mesa da autora:

Já que o livro é digital, quero presentear vocês com um cartaz e uma ilustração do personagem que vocês mais gostaram. Quem quer!? Formem uma fila aqui na minha frente!

Um estalo e a fila já estava feita; e mais uma vez só crianças podem compreender o valor que existe em sentir-se eufórico com um papel enfeitado por dedicatória e desenhos, coisa boba essa animação que durante a vida deixamos que a água leve a cada banho. Mas não somente se entusiasmavam, como detinham nas mãos questionamentos justificáveis para a autora e para o Sopa: “Posso comprar o livro do meu celular?”; “Como faço para publicar um livro?”; “Você fez os desenhos com lápis ou foi no computador mesmo?”; “Um dia eu ainda vou escrever um livro!”, “Eu também!”.

De traços ligeiros, a autora entregava cada cartaz para uma nova criança ansiosa. O primeiro olhar sobre o presente dizia o carinho e a importância do que entendiam por leitura já tão cedo.

E para fechar o presente com a melhor cereja no bolo, Clara convidava cada criança a um agrado singelo de mesmo nome do livro: “Me dá um abraço?”.

Foram olhos deslumbrados e sorrisos largos, divididos entre cada um daqueles que pareciam infinitos abraços.

A mesma leitura aconteceu também sexta-feira, no Telecentro da Oficina do Parque de Niterói, para crianças do espaço e demais escolas e creches da comunidade do Maceió. De pés descalços e acomodadas num tapete emborrachado, os olhos dos pequenos eram sempre focados na televisão a passar a história acompanhada pela voz da Clara. Sentimos que o envolvimento da leitura foi além da intimidade que o ambiente conduzia, quando mais uma vez a fila para o cartaz logo se fez entre passos saltitantes; e não somente sobre cartazes que a fila crescia, mas também para pedir uma foto com a autora; um papo sobre outro livro que leu; uma história dividida; um abraço a mais. E depois foi um corre-corre, gargalhadas e brincadeiras para validar a euforia que dizia aquela tarde inserida na memória de cada uma deles, a vagar entre as lembranças infantis que gostamos tanto de, ora ou outra, saudar com um abraço.


Fotos na Biblioteca Pública de Niterói

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Fotos no Telecentro da Oficina do Parque de Niterói

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Fotos: Diego Mere e Luiza Rezende

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