Pode tocar na obra

A ideia de digital pode ser atrelada aos grandes eventos de inovação, tanto tecnológicos quanto sociais, comportamentais e por aí vai. Tudo que conhecemos pela natureza de suas formas, peso e lugar vem se configurando para uma existência menos palpável, em um processo de reorganização de suas “funções” e presença em nosso cotidiano. Já falamos sobre isso no post Entre triângulos e planos há algum tempo, porém retomar o assunto hoje é, de alguma forma, relembrar onde estávamos naquele momento e onde estamos agora: com novas questões sobre lugar e tempo. Esse tempo que construímos ao mesmo tempo em que vivemos.

Começo esse texto considerando alguns pontos, e acredito que você já tenha se deparado com essas questões ou escutado por aí algumas indagações neste sentido, mas de toda forma, tento, mesmo que sutilmente, encostar no último fio da meada e retomar a discussão sobre o que está acontecendo com os meios de produção de conteúdo. Digo conteúdo como algo não restritamente escrito, mas todas as cifras que o tempo exapta para contar sua história.

É evidente que os filmes, fotos, teatros, músicas e livros não são mais os mesmos. Talvez, nós também não sejamos mais como antes, talvez a forma que processamos o conteúdo tenha alterado em sua formação genética para algo híbrido, trans, que solicita novas fronteiras do existir. Dessa maneira, a reflexão que pede uma observação honesta dos nossos atos pode dar dicas do que está acontecendo com a natureza dos objetos que nos cercam. Como, por exemplo, o ingresso do cinema ou a música nos celulares.

Um outro exemplo dessa reconfiguração é a produção de filmes que vão além das críticas construídas. Para os novos filmes que se propõem a investigar a maneira de narrar não-histórias que não sejam mais interpretadas por atores, mas sim a construção de obras, vetores particulares únicos que utilizam dos suportes convencionais para deslocar seus atos em busca de outras consequências. Outro ponto de vista pode ser o uso dos livros digitais, que estão inaugurando outros lugares do imaginativo. Onde os recursos, que a cada dia abrem espaço para novas APIs, alteram como mutações a sua construção literária. Não mais desejamos estar nos mesmos lugares cognitivos do passado, é possível explorar novos campos da imaginação, é possível pensar algo que jamais pensaríamos antes na relação com o conteúdo. O poder dessa forma de pensar é de tal proporção que nos permite repensar em como construir outras formas de existência ao defender ideias e apresentar pontos, transitando por configurações e funções objetivas e subjetivas do conhecimento. Nada mais do que a convergência de texto, som, imagem, vídeo e toque em sua forma ampliada de existir.

O desbravar de outros espaços também implica em novas responsabilidades e novos saberes, mas mais do que isso, representa o reconhecer nossa trajetória não linear na construção de nós mesmos. Assim, abre um discurso sobre tecnologias digitais e seus recursos, e também a capacidade “horizontalizante” que temos em mãos. Talvez o exercício de construírmos esse lugar seja o mesmo de olharmos nosso entorno em busca de respostas que nos potencializem em mais propostas e consciências do devir.

 


 

Foto: Diego Mere; Obra da série Transparentes Brancos de Christiano Mere

 

SOPA + Biblioteca Pública de Niterói

Foi na forma de convite que tivemos a oportunidade de imergir no assunto. Nos longos papos na Semana do Livro Infantil da Biblioteca Pública de Niterói, onde fizemos o lançamento do livro Me dá um abraço? – primeiro lançamento de um livro digital dentro de uma biblioteca – que as ideias começaram a criar forma. E desse modo, entre as paredes da BPN, conversando com os “mandachuvas”, que nossos sensores para papo aguçaram, e saímos dali com a oferta de ministrar uma palestra sobre a palavra digital e o futuro do livro; me arrisco até a dizer, futuro das bibliotecas diante desse momento digital do livro.

Planejamos tudo com duas a três semanas de antecedência, como seria o nosso dia 22 de maio a partir das 16h. Reunindo nossas melhores referências, desenvolvemos as telas e ensaiamos uma palestra. Ensaiamos, ensaiamos e ensaiamos, até que todos aqui no Sopa estivessem repetindo as mesmas frases: “o livro impresso e o digital não competem, seria como comparar um carro com uma moto”; ou “precisamos entender o processo que o livro está sofrendo para propor soluções mais interessantes”. E, assim, fomos desenvolvendo os trilhos para nossa palestra.

O que mais nos desafiava era fazer o pensamento de abstração proposto pela palavra “digital” ser captado por todos. Para isso, contamos com as reflexões do livro Objeto Ansioso de Harold Rosenberg e seus ensaios sobre o Expressionismo Abstrato para fazer uma conexão entre retratar a realidade e as interferências que o digital propõe, conectando ideias com perguntas e observações mais instigantes do que tudo que poderíamos tentar dizer naquele momento. Ainda nas refreadas para trocas de ideias e pensamentos, que as percepções de Vilém Flusser nunca fizeram tanto sentido: todas aquelas superfícies que reconhecemos no ambiente eram de papéis sendo arranhados por lápis nervosos de ouvintes atentos, ávidos por salvar ideias e criarem suas opiniões para formar partidos sobre o futuro do livro e seus espaços.

Foi uma experiência e tanto poder trocar essas questões e ouvir outras sobre como as pessoas estão se relacionando com o livro e o seu futuro. Nós, do Sopa, gostamos muito de instigar esse tipo de diálogo – e eu mais ainda de falar sobre arte e processo criativo.

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Estamos muito animados com as futuras possibilidades que serão construídas nesta parceria SOPA + BPN.

Feliz aniversário, Fernanda

No último sábado, dia 09 de maio, foi aniversário da Fernanda Paixão, autora e organizadora do livro Linguagem, cultura, reportagem.

Assim como o livro mais baixado do Sopa, te desejamos o maior sucesso que as letras podem proporcionar e muita felicidade.

O livro pode ser baixado no iBookstore e também no Google Play.

 

Semana do Livro Infantil

- Agora eu vou ler o livro pra vocês enquanto ele vai passando naquela tela, ok?

Apresentavam-se diante de nós, na quarta-feira do dia 15 de abril, cerca de 200 crianças de dois colégios distintos, animadas com a curiosa leitura que fariam naquele lugar enorme, cheio de salas, estantes e pessoas de caras enfiadas em livros; os silêncios pedidos para serem guardados sempre nos bolsos, para que não atrapalhassem a concentração daquelas paredes compenetradas. A Biblioteca Parque de Niterói recebia a leitura do livro “Me dá um abraço?” da autora Clara Gavilan, leitura essa registrável como a primeira de um livro digital numa biblioteca pública. E talvez tenha sido esse o motivo para tanta curiosidade que vagava pelas bocas e ouvidos daqueles meninos e meninas já entendidos de seus próprios sonhos.

Preferiam sentar no chão, porque cadeiras atrapalham a sensibilidade – coisa que só criança pode concordar. Amontoados diante da autora, alguns olhares arregalavam-se ao ver diante deles uma autora a passar as páginas do livro pela tela do iPad, ao mesmo tempo em que a história se reproduzia na grande projeção com seus personagens numa floresta em movimento, com vento que desfolha árvores e desenrola brisa pelo cenário. Acontecia diante de nós uma pergunta nova, uma dúvida entre o que já existe e o que poderia cada vez mais existir: é também um livro a folha digital que pede o toque, a descoberta pelas páginas e a leitura interativa? Sentíamos o impulso do sim no silêncio do virar de cada página, nos diálogos enfeitando cada personagem de repente compreendido.

Ao final da história, aplausos de mãos pequenas; algumas pareciam querer a releitura, outras esperavam o que vinha adiante, naquele misterioso papel enfeitando a mesa da autora:

Já que o livro é digital, quero presentear vocês com um cartaz e uma ilustração do personagem que vocês mais gostaram. Quem quer!? Formem uma fila aqui na minha frente!

Um estalo e a fila já estava feita; e mais uma vez só crianças podem compreender o valor que existe em sentir-se eufórico com um papel enfeitado por dedicatória e desenhos, coisa boba essa animação que durante a vida deixamos que a água leve a cada banho. Mas não somente se entusiasmavam, como detinham nas mãos questionamentos justificáveis para a autora e para o Sopa: “Posso comprar o livro do meu celular?”; “Como faço para publicar um livro?”; “Você fez os desenhos com lápis ou foi no computador mesmo?”; “Um dia eu ainda vou escrever um livro!”, “Eu também!”.

De traços ligeiros, a autora entregava cada cartaz para uma nova criança ansiosa. O primeiro olhar sobre o presente dizia o carinho e a importância do que entendiam por leitura já tão cedo.

E para fechar o presente com a melhor cereja no bolo, Clara convidava cada criança a um agrado singelo de mesmo nome do livro: “Me dá um abraço?”.

Foram olhos deslumbrados e sorrisos largos, divididos entre cada um daqueles que pareciam infinitos abraços.

A mesma leitura aconteceu também sexta-feira, no Telecentro da Oficina do Parque de Niterói, para crianças do espaço e demais escolas e creches da comunidade do Maceió. De pés descalços e acomodadas num tapete emborrachado, os olhos dos pequenos eram sempre focados na televisão a passar a história acompanhada pela voz da Clara. Sentimos que o envolvimento da leitura foi além da intimidade que o ambiente conduzia, quando mais uma vez a fila para o cartaz logo se fez entre passos saltitantes; e não somente sobre cartazes que a fila crescia, mas também para pedir uma foto com a autora; um papo sobre outro livro que leu; uma história dividida; um abraço a mais. E depois foi um corre-corre, gargalhadas e brincadeiras para validar a euforia que dizia aquela tarde inserida na memória de cada uma deles, a vagar entre as lembranças infantis que gostamos tanto de, ora ou outra, saudar com um abraço.


Fotos na Biblioteca Pública de Niterói

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Fotos no Telecentro da Oficina do Parque de Niterói

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Fotos: Diego Mere e Luiza Rezende

Entre triângulos e planos

Traduzir as ideias para um texto, que logo de cara tem o compromisso com esse pensamento do Hans Hoffmann, que tanto admiro, nos coloca na obrigação de escolhermos as palavras com tanto cuidado que só é possível com as pontas dos dedos em pequenos gestos circulares em busca da textura certa.

Foi assim que desenvolvi minha resposta ao aceitar o convite do Lui Azevedo para participar do segundo dia do projeto Triângulo. O desafio era montar uma palestra e compor um debate sobre o tema interface, e junto com Marlus Araujo e Pedro Segreto formávamos o triângulo da noite. O objetivo maior era apresentar discussões sobre o passado, o presente e, principalmente, o futuro das interfaces, uma oportunidade perfeita para compartilhar alguns insights que venho amadurecendo aos poucos. Gosto de pensar na relação entre o movimento abstrato das artes plásticas, em particular o Expressionismo abstrato, e as novas interfaces com a pluralização de gadgets e novos formatos, como o livro digital.

Ao olhar para esses acontecimentos, pude notar que o mesmo movimento que deu origem as abstrações, mesmo que de forma simplificada, se repetem nos dias de hoje nas interfaces dos usuários e nos canvas dos projetistas. Tentarei situar esse papo no descompromisso conquistado de representar a realidade. Para exemplificar de forma grosseira: seria algo como quando a fotografia assumiu a responsabilidade de representar o real pelo seu efeito instantâneo de captura de um frame, que, consequentemente, proporcionou aos pincéis a “liberdade subjetiva” que existe por detrás das ideias. Um grande exemplo desse movimento são os touros do Picasso, uma série de desenhos feitos ao longo de seus anos. Picasso se auto retratava como sendo um minotauro e essas garatujas ganham forma simplificada no início e vão se complexificando a medida que o próprio consegue se perceber, o que traduz nessa assinatura as minúcias da sua percepção. Na medida que o tempo cumpre o seu papel, a sabedoria somada a experiência faz com que gradativamente o desenho se liberte da realidade e encontre a simplicidade, e a cada nova tentativa só o necessário floresce entre as linhas. Quando juntos, todos esses desenhos, fica claro que o último é infinitamente mais simples que o primeiro, porém infinitamente mais rico.

Não existe arte abstrata. Sempre se deve começar com algo para depois remover todos os traços da realidade. E assim, a ideia do objeto terá deixado uma marca indestrutível – Pablo Picasso

Na sequência das garatujas, o que mais chama a atenção é a forma como o último desenho não está mais impregnado com a realidade. Ele simplesmente abstrai o resto pictórico que existia do touro, porém a essência ainda está lá, formando a assinatura do próprio Picasso e se configurando como sujeito sem forma, que mesmo assim ainda é o touro.

Sendo interface o lugar onde essa conversa deve se manter, volto a olhar para as pinturas do Action Painting. E dessa vez, com um olhar mais amplo sobre a pintura abstrata. Todos sabemos e percebemos que mesmo não havendo uma forma definida, cada gesto escolhido pelo pintor nos leva a uma reação. Vamos de obras pálidas, com pouca intonação e que requerem mais tempo de observação para se ter uma reação, e também de obras mais fortes, que mal cabem em nossos olhos. Esta segunda nos leva a respostas instantâneas e muitas vezes intuitivas. Toda essa teoria, se transportada para as interfaces, se desenvolvem com a naturalidade de um cursor ou um scroll. Pego um exemplo aleatório, o ícone composto por uma nuvem e uma seta para cima ou para baixo, “enviar um arquivo” ou “receber um arquivo”o nível de pictoriedade desse desenho está quase abstraído, porém o entendimento é lógico e claro. Mas olhe novamente, nuvem somada a uma indicação de sentido/direção não representa muito, ou quase nada, no mundo físico.

Assim é a forma como costumo pensar ao me deparar com um novo projeto de interface, principalmente falando de livro digital – que de livro só possui a essência. Se cortarmos o desnecessário, abre-se aí muito espaço para o novo. Por aqui, costumo falar que não mais preciso de uma lixeira com cara de lixeira para que eu descubra onde devo “jogar” meu lixo.

Essa é a maior provocação que encontro escondida no cerne de um novo projeto e de uma nova ideia, é a partir dessa intuição que construímos as interações com os usuários, leitores ou qualquer maneira que queira descrevê-los. Mas saiba que, no final das contas, tudo está interligado e cada escolha, cada minúcia, sugere uma reação. O caminho das possibilidades está a cada dia mais plural, ou seja, um castelo infinito de oportunidades inusitadas, basta apenas ter coragem de escolher o caminho e conseguir se justificar nele.

Foi assim que conclui minha participação no Triângulo, tentando olhar para as mesmas coisas que vemos todos os dias com o desejo de encontrar novos caminhos para discutir sobre as fronteiras dos rótulos que impomos a nós mesmos.

“O livro eletrônico é o futuro”

“O livro eletrônico é o futuro”. Essa é a minha habitual frase de entrada. Repetida inúmeras vezes para um número sempre novo de ouvintes, encontro as mesmas reações mescladas: a fascinação ou a descrença. Infelizmente posso dizer que tenho visto mais da última do que daquela primeira. Talvez seja por ainda ser uma novidade.

Em resposta, os comentários são muitos, em contraponto às expressões. “Os livros físicos jamais perderão seu apelo”, diz um. “Eu gosto da textura e do conforto do papel”, afirma outra. “Um livro não precisa ser recarregado”, diz aquele terceiro. E assim vão, golpes certeiros contra um argumento antes sólido.

“O livro eletrônico é o futuro”, repito, sorrindo.

Não o faço carregado com sarcasmo, nem com desprezo pelo argumento adversário. Não se trata de uma competição; não neste caso. Trata-se de uma convicção obtida sob muito esforço, de quem advogou para dezenas de editoras ao longo dos anos, mas que ainda tem visão e juventude guardados de sobra para se manter fiel ao potencial da tecnologia contemporânea para revolucionar. E, também, amparado em anos de estudo sobre o tema, é claro. Vamos à história?

Falar da história do livro é, de certa forma, tratar um pouco da história dos direitos autorais. Das relações de trabalho às relações humanas mais básicas, o reconhecimento, ainda que intuitivo, de quem é o autor de uma obra acompanha a história da criação humana: da supremacia do seu intelecto sobre o meio ambiente.

Não é de se estranhar, portanto, que o avanço dos séculos, ao trazer o ser humano à Era da Informação do século XXI, tornou ainda mais claro e constante o ritmo de criação humana e a necessidade de se refletir sobre a herança histórica do que se considera autor. Hoje, os trabalhos humanos puramente mecânicos e físicos tornam-se gradativamente menos necessários, entregues ao domínio da mecanização global, permitindo ao ser humano entregar-se às atividades contemporâneas exclusivamente intelectuais – que são exatamente o campo de estudo dos direitos autorais: produções artísticas, manifestações culturais, científicas e, porque não, industriais.

Mas, o que tem tudo isto a ver com o livro, o suporte, em si? Para responder permito-me transcrever um sábio Thomas Jefferson: “aquele que recebe uma ideia de mim, recebe ele mesmo instrução sem diminuir a minha; como aquele que acende sua vela na minha, recebe luz sem me colocar na escuridão”. Em síntese, o conhecimento quer ser livre. É esta a sua natureza.

“aquele que recebe uma ideia de mim, recebe ele mesmo instrução sem diminuir a minha; como aquele que acende sua vela na minha, recebe luz sem me colocar na escuridão”

Então, quando verifico a crise pela qual muitas editoras (algumas, íntimas conhecidas) passam no início deste século que promete, reafirmo: não se trata de uma tendência econômica, mas de uma verdadeira queda de braços entre a evolução tecnológica e social e a necessária (e decerto consciente!) resistência de um modelo econômico que não corresponde mais ao que vem sendo produzido a partir das novas propostas de labor contemporâneo.

Ora, até o século XV, o livro era um bem extremamente valorizado e caro. Pesados, feitos à mão e de forma demorada, transcritos por “especialistas” (que muitas vezes eram valorizados pelas próprias opiniões que inseriam nos escritos originais), os livros eram uma obra de arte – no seu sentido mais estrito. Capas de couro e iluminuras eram comuns de serem encontradas nos poucos exemplares que existiam.

Era neste cenário em que o famoso “Príncipe dos Editores”, Vespasiano da Bisticci, florescia na Itália. Um verdadeiro negociante destas raras obras, Vespasiano era nada menos do que um homem adaptado à tradição, e tornara-se rico com ela. Os homens e mulheres da classe nobre dessa época lhe procuravam quando queriam adquirir uma obra.

Ocorre que felizmente (apenas para nós, é claro), a tradição logo abandonaria o “Príncipe”. A invenção de Johannes Gutenberg daquele século, o tipo mecânico móvel, iniciaria uma revolução que só mudaria de marcha no final do século XX. A partir deste momento, livros não seriam transcritos aos poucos, mas impressos às toneladas. As ideias circulariam o mundo, e com elas, a Renascença, a Reforma e a Revolução Científica.

Penso que é correto estipular que a primeira reação do “Príncipe dos Editores”, ao ver seu primeiro livro impresso seria de desprezo. Mal acabado, sem iluminuras, sem classe. Alguém lhe diria: “isto é o futuro”. Seguir-se-ia um olhar descrente.

Bom, o resto, como dizem, é história. Em poucos anos, Vespasiano da Bisticci estaria falido. O livro escrito à mão não se tornaria nada mais do que uma cara excentricidade, relegada a uma nota de rodapé do mundo moderno. Por mais outros 500 anos, o livro impresso no tipo móvel de Gutenberg ganharia o mundo.

500 anos? Não mais, não menos. Veremos. Afinal, há inúmeras razões para se repensar o uso do papel e construir o novo lugar dos livros impressos. Onde devemos repensar o uso do espaço físico, das árvores, dos químicos na preparação do papel e seus impactos no meio ambiente, das dificuldades na reciclagem. Em contra ponto a energia renovável, a tecnologia, a comodidade, a redução nos custos, os preços menores. A natureza imaterial do conhecimento e da cultura pressionando por uma liberdade maior do que àquela que o suporte impresso pode fornecer. Isso sempre. E, contra todas essas, apenas uma: tradição.

Os muitos homens e mulheres que me cercam com certa descrença hoje não me oferecem mais do que Vespasiano da Bisticci poderia oferecer aos seus contemporâneos visionários. Certamente não oferecem mais aos idealizadores da Editora Sopa do que seus próprios concorrentes presos à tradição.

De visionários, não esperem menos que a loucura. E à beira dela, uma outra Revolução.

Mas, se outrora um príncipe caiu, que seria desses pobres mortais descrentes nesse admirável mundo novo fundado por Bill Gates, Steve Jobs, Larry Page, Sergey Brin, Jeff Bezos e tantos outros gênios?

“O livro eletrônico é o futuro.”

Foi essa a frase que eu ouvi da equipe da Editora Sopa, mais especificamente de Laura Yunes e Christiano Mere, em uma tarde de reunião despretensiosa em nosso escritório.

A eles, ofereci de volta o meu sorriso e minha certeza.

O livro eletrônico é o futuro.

Alea iacta est. A sorte está lançada.

Um tutorial de cada vez

Pegando o gancho do papo com o Walter na semana passada, e claro, com um pouco da ajuda dele, vamos tentar resolver um probleminha que reparamos e escutamos muitas pessoas comentando por aí: “Como eu faço para comprar um ebook no meu iPad?”. Na verdade, o método de compra do iPad é igual para quem tem Mac, iPhone, iPod Touch e por aí vai. O que importa é ter o iBooks, que, graças ao iOS 8, já vem como um app nativo no dispositivo. Vou parar com os “i” por aqui…não quero que pense que somos uns applemaníacos (será que ainda dá tempo de disfarçar?).

Como você já sabe, os livros digitais não são PDF’s e muito menos documentos de Word, e os leitores, e-readers, não são somente um lugar para guardar os livros que você adquire. Começando pelos livros, o famoso ePub é um compilado de programação para que o conteúdo possa assumir o comportamento desejado, tanto pelo autor quanto pelo editor. Existem dois tipos de livros, os de texto, chamados reflowables, e os de layout fixo, que são mais usados para trabalhar com imagens e interatividade. Não que os de texto não sejam interativos, porém os de layout fixo possuem mais possibilidades, como vídeos, trilha sonora, quiz e, em alguns casos, minigames dentro do livro.

Porém, o foco desse post é falar do e-reader da Apple, o iBooks, e te explicar como adquirir seus livros por lá. Além de funcionar como uma estante, ele possibilita o controle de brilho da tela, faz pesquisa no texto do livro, salva e compartilha notas, marca trechos interessantes e, o melhor de tudo, você pode encontrar e comprar uma cassetada de livros, de várias editoras e até mesmo de autores independentes, todos no iBookstore. Vamos fazer um passo a passo bem simples para mostrar como comprar e enviar de presente um bom livro! E como todos sabem, livro nunca é demais.

Step by step 

1 de 5 – Encontre o aplicativo iBooks

O iBooks é o ícone laranja que vem na primeira página do iOS – isso se você não mudou ele de lugar – no Mac, ele já vem no Dock. Só não confunda com o “Dicas”, o aplicativo de ícone amarelo com uma lâmpada. Se não achar, use a busca e digite o nome do app.

2 de 5 – Como chegar na livraria mais próxima de você

Ao entrar na sua biblioteca no iBooks, vai notar que na barra inferior tem algumas abas, como as Meus Livros; Destaques; Mais Vendidos; Autores em Alta e Comprado. Aqui já indica que existe a possibilidade de se fazer uma compra ou até mesmo indica a existência de uma livraria.

Para acessar a livraria, basta tocar em Destaques. Claro que você precisa de uma conexão com a internet (3G, 4G ou Wi-Fi). Na aba Destaques estão todos os principais livros, tanto as novidades quanto os bestsellers separados em categorias.

3 de 5 – O livro que eu quero não está na lista

Se o livro que você quer não estiver na lista dos mais vendidos ou não for tão famoso assim, na barra superior do iBooks tem um campo de busca. Lá você pode digitar o nome do autor ou o título da obra, e até mesmo o nome da editora, para achar o ebook que deseja ler.

4 de 5 – Parte mais simples e mais complexa

Depois de localizar o livro, basta apenas clicar no botão com o valor e depois confirmar clicando em Comprar Livro. Caso o livro seja gratuito, apenas clique em Obter e depois insira os dados da sua Apple ID. Se ainda não tiver uma Apple ID, clique aqui ou se quiser saber mais como atualizar os dados do seu cartão de crédito clique aqui.

5 de 5 – Meus Livros

Após efetuar a compra, o livro irá carregar nas abas Meus Livros e Comprado. Daqui pra frente, é só seguir as instruções que aprendemos na alfabetização até terminar o livro.

Extra de brinde:

Caso você seja uma boa pessoa e goste de presentear com livros, o Gift é um recurso bem simples de usar. Após escolher o ebook que deseja dar, vá até o canto superior direito, no ícone de compartilhar, que a opção Presentear vai estar logo no início. Siga os mesmos passos de antes (dados da Apple ID) e não esqueça de colocar a Apple ID de quem quer presentear. Um detalhe: esse recurso só funciona entre dispositivos da Apple.

Viu? Nem é tão difícil assim!

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Se preferir, pode nos ligar ou enviar um email. Saiba como fazer isso na página de contato.