Restrição como possibilidade

Como abordar o tema restrição sem ser muito abrangente? Essa questão propõe elaborar algumas fronteiras para nortear esse post e manter o foco. Em primeiro lugar, o que desenvolvemos é pinçado sob a ótica da criatividade com base nas pesquisas que fazemos nos últimos anos e também assumindo alguns pontos que geramos juntos nos encontros do grupo de estudos ZineDisfunção na BPN. Esse primeiro recorte ajuda a visualizar a fronteira e ao mesmo tempo propõe um primeiro entendimento da ideia de restrição, como uma delimitação de espaço para que possamos compreender o todo. Estabelecendo esse acordo, que um processo independe do seu complemento criativo, artístico, acadêmico e por aí vai, possui uma aparência similar a de uma cebola, onde camadas e camadas de ideias e/ou possibilidades (fronteiras entre espaços) agrupam-se orbitando em um centro comum que chamamos de “o cerne da questão”, e todas as camadas se relacionam, de certo modo, com a ideia central configurando assim um único corpo no espaço.

A ideia da cebola, “fronteiras”, define-se da seguinte maneira, como diz o priberam: “Zona de território imediata à raia que separa duas nações”, essa afirmação favorece o discurso de limite, mas não um limite de entendimento, mas de espaço/corpo que pode ser “infinito” em possibilidades. E assim surge a questão: do que se compõe um espaço? Creio que por esse caminho perderemos o foco da definição de restrição, mas podemos pensar que restringir é um recorte espacial, um parâmetro que usamos para compreender um todo e seus elementos. É compreender que essa palavra carrega pré-conceitos que dificultam seu entendimento – afinal restringir não pode ser algo bom, já que nos impede de ir. Abordar esse tema, enquanto processo criativo, é lidar com a famosa caixa que devemos pensar fora. Afinal, como podemos resolver um problema pensando fora dele? Foram esses os pontos que discutimos no último encontro do grupo de estudos, dia 03 de outubro, e que esse post tenta resgatar as fagulhas de um dia restritamente plural.

A discussão começou com uma tentativa de definir a palavra restrição e perceber onde ela se apresenta de uma maneira pontual. De forma espontânea, começamos com recortes muito abrangentes, como o planeta que é uma restrição do espaço, e em seguida a sociedade que é uma restrição de comportamento, mas a medida que os exemplos foram se acabando fomos forçados a nos aproximar do centro da questão, e nessa hora todos já concebiam a ideia de uma “cebola de territórios”. Cada um com suas fronteiras espaciais, até que o corpo passa a ser uma restrição para nós e com os limites físicos do nosso corpo fomos capazes de pensar soluções que transformam nosso mundo de forma radical. Por exemplo, se não fosse nossa incapacidade de locomoção rápida nunca precisaríamos domesticar animais como os cavalos, logo os carros não existiriam dessa maneira, e assim podemos pensar que as cidades assumiriam outra configuração, ou até mesmo os guindastes que substituem nossos braços de forma limitada em possibilidade, mas exponencial em força, trariam outras formas para nossas construções. Estamos sempre em busca de superar ou lidar com as restrições que se impõem em nosso caminho construindo pontes que fazem trafegar entre diversas camadas dessa cebola.

Todas essas questões trazem uma integração ao indagarmos que restrições são fatores limitadores. Sim, de fato são, mas acima de tudo são fatores delimitadores e só assim somos capazes de compreender e decidir como agir ou reagir a um estímulo. E como não poderia faltar, o tempo é sim um fator limitador que se impõe sobre as condições do trabalho, porém devemos nos atentar ao que o enunciado está dizendo. Ao lidar com uma demanda, todos os fatores podem ser, ao mesmo tempo, limitadores ou estimulantes para uma nova maneira de abordar a questão. E assim dizendo, uma ótima ferramenta para delimitar uma trajetória, que utilizada de forma consciente, abre mais espaço para possibilidades do que impede o desenvolvimento. Ou seja, a forma como lidamos com a ideia de restrição é o diferencial.

O dia na Biblioteca Pública de Niterói se desenvolveu com essas provocações e a incrível participação do designer Walter Mattos, que por mais de 40 minutos falou sobre seu processo de trabalho e em como trabalhar com um nível muito alto de restrições possibilita a concepção de um trabalho justificado e muito eficiente a nível plástico e conceitual. Walter é um dos designers mais influentes no Rio de Janeiro e hoje, com seu portal waltermattos.com, ele apresenta vídeos sobre o uso de ferramentas e análises gráficas com base no uso de grids e estruturas hierárquicas baseadas em geometria e matemática. Ouvir sua palestra foi voltar a um racionalismo Phi das coisas, ao mesmo tempo que nos abriu a cabeça para maneiras de trabalhar e justificar nossas escolhas de forma consciente. Não adianta só fazer, tem que saber o porque está fazendo. Foi com frases desse estilo que ele nos provocou a perceber que o mundo, de fato, está codificado em nossa frente e, como a cebola, tem camadas. O nosso cotidiano é feito de cascas de conhecimento e relacionamentos que podem ser um grande provedor de estímulos criativos, se formos atentos a ele.

Foi assim que o 4º dia de estudos se fechou, com todos trafegando em um universo de possibilidades ao se deparar com uma restrição abrupta, isso foi notável já nos papos pós palestra. Pensar restrições abre e não fecha. Essa é a moral obvia do post, mas só é possível chegar nesse entendimento consciente depois de definir a ideia. Ficamos muito satisfeitos com a ressonância que esses encontros estão proporcionado. O próximo será no dia 14 de novembro e quem chega como palestrante é o biólogo Rafael Franco.

 

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Fotos: Diego Mere, Laura Yunes e Luiza Rezende.

Walter Mattos e seus tutoriais

Saudações leitores do Reverbe! Me chamo Walter Mattos, sou designer de marcas e possuo um Blog onde compartilho dicas e tutoriais em vídeos com outros designers.

Hoje estou aqui honrosamente como autor convidado para compartilhar o método de criação dos meus vídeos, que vocês podem conhecer através do meu canal no Youtube.

A ideia

Não tenho uma ordem ou técnica específica para encontrar uma boa ideia. Ela pode vir através de um pedido de leitor ou a qualquer momento, inclusive enquanto estou na rua – neste caso, anoto a ideia no celular.

Cada ideia que surge vai para uma pasta no meu computador chamada “Rascunhos”, onde defino um nome temporário para o título e incluo todas as referências que coletei até o momento. Entre estas referências estão imagens, outros artigos, vídeos ou anotações com páginas de livros que irão me ajudar a desenvolver o conteúdo. Como os vídeos não são produzidos no dia em que nasce a ideia, mas muitas vezes semanas depois, é comum eu esboçar o roteiro através de tópicos ou lembretes no dia em que salvo as referências. Assim, quando eu for escrever o texto final, saberei por onde começar.
 
Nem todas as ideias são boas o suficiente para se tornarem artigos ou vídeos, mas muitas vezes volto numa ideia antiga e ela se transforma em outra que acaba sendo publicada – praticamente um processo de reciclagem. Hoje tenho 120 ideias não publicadas na pasta “Rascunhos”.

Periodicidade

Como sou designer em tempo integral, preciso planejar bem meu tempo de dedicação no Blog. Minha meta é investir pelo menos 2 horas por dia em conteúdo, incluindo elaboração de ideias, desenvolvimento de textos ou gravação de vídeos, mas não é sempre que consigo – principalmente quando o volume de trabalho é alto ou estou com muitos afazeres pessoais. Hoje, por exemplo, estas duas horas estão sendo investidas neste artigo que você está lendo.

Deixando claro que nem sempre 2 horas são suficientes para terminar um artigo ou vídeo. Dependendo da complexidade, pode levar dias ou semanas para chegar no produto final.

Exemplo 1: narrativa

Este, por acaso, é o meu último vídeo lançado até o momento. Se vocês assistiram, pelo menos, 2 minutos devem ter reparado que ele é composto pela minha narração e algumas imagens estáticas que são exibidas de acordo com o que estou falando. A dificuldade está no fato de que cada imagem tem que ser pensada e criada individualmente, para depois ser sincronizada e animada. O processo completo fica assim:

- Desenvolvimento do roteiro;
– Gravação do áudio;
– Preparação das imagens com base no áudio;
– Sincronização entre imagens e áudio;
– Criação das imagens de capa do Youtube, blog e redes sociais;
– Criação da legenda em português;
– Publicação do vídeo;
– Preparação das imagens do vídeo para artigo no Blog;
– Publicação da versão transcrita do vídeo no Blog.

Clique aqui para ver a versão transcrita deste vídeo. 

Costumo publicar uma vez por semana alternando entre artigo e vídeo, o que me dá praticamente 2 semanas para preparar um vídeo, já que começo a desenvolvê-lo paralelamente a um artigo.

Exemplo 2: gravação de tela

Como vocês podem ver, na gravação de tela eu não preciso preparar imagens estáticas. Isso não significa que não dá trabalho, mas no final o processo é mais rápido. Neste caso, o áudio continua sendo gravado antes e a sincronização é feita durante a gravação do próprio vídeo, ou seja, enquanto ouço o áudio que gravei executo o que está sendo falado no meu programa enquanto a tela é gravada. Falando assim parece complicado, mas acredite… é mesmo. O processo completo fica assim:

- Desenvolvimento do roteiro;
– Gravação do áudio;
– Gravação da tela com base no áudio;
– Criação da legenda em português;
– Criação das imagens de capa do Youtube, blog e redes sociais;
– Publicação do vídeo;
– Preparação das imagens do vídeo para artigo no Blog;
– Publicação da versão transcrita do vídeo no Blog.

Clique aqui para ver a versão transcrita deste vídeo.

Vocês devem estar curiosos em relação ao fato do áudio ser gravado antes. Faço isso para evitar erros ou aquelas pausas desnecessárias tipo “hmm”. Então se eu ouvir, por exemplo, a frase “clico no menu” eu simplesmente clico no menu e a sincronização está feita. Não tem erro.

Muitas pessoas me perguntam: “Mas por que você não grava o vídeo antes do áudio?”

Assim nunca saberia o tempo certo de explicar determinada ação. Correria o risco de ter que falar rápido ou lento demais.
 
De qualquer forma, este método não é uma obrigatoriedade e muitos conseguem gravar vídeo e áudio ao mesmo tempo com perfeição. Escolhi fazer assim, simplesmente, porque me deixa mais confortável, ciente de que o tempo de produção é um pouco maior.

Para finalizar

Antes de publicar meu primeiro tutorial, há quase 1 ano, eu não sabia nada sobre produção ou edição de vídeo. Na verdade, o primeiro vídeo foi gravado e editado enquanto eu estava estudando este mecanismo (e ainda sei muito pouco sobre o assunto). Por incrível que pareça, este mesmo vídeo foi o mais visto até hoje, com mais de 20 mil visualizações até o momento. Clique aqui para ver meu primeiro tutorial.

A lição que eu tiro daí é que não importa se você é expert ou não em edição, o que importa é seu conteúdo. Então se vocês estão começando ou pretendem começar a desenvolver tutoriais em vídeo, não desanimem por não conhecerem ou não dominarem as ferramentas.

Vocês só precisam de um computador, um microfone e uma boa ideia.

Espero que tenham gostado deste artigo. Caso queiram acompanhar meu trabalho, vocês podem se inscrever na minha Newsletter para receber novidades do blog a cada 15 dias.

Um abraço e até a próxima.

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